A responsabilidade é de quem?

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Estive em uma importante instituição representativa do setor empresarial para falar sobre Sustentabilidade, destacando os Objetivos do Desenvolvimento Sustentável (ODS), dias atrás. Depois de 20 minutos elencando os 17 pontos de congruência entre as empresas e as políticas públicas, um dos presentes fez a seguinte pergunta: Mas o que é ODS?

Entender como obrigação que todos saibam o que significa a sigla ODS seria arrogância minha. Então, comecei novamente… Refiz o raciocínio e agradeci a oportunidade de esclarecer acerca do que tratam os ODS.

Do ponto de vista estratégico, o conceito da harmonização social, econômica e ambiental é fundamental para as empresas estabelecerem o plano vinculatório de Sustentabilidade.  Elas precisam se posicionar frente aos possíveis cenários futuros. Engana-se o executivo que dá mais ênfase na gestão de curto prazo, sem prever a provável escassez de recursos naturais essenciais para operar e produzir.

Os Objetivos do Desenvolvimento Sustentável são uma agenda que reforça a capacidade de a empresa identificar seus impactos e prever os efeitos no ambiente em que atua. Desta forma, as empresas podem gerenciar com mais agilidade seus riscos e investir com mais qualidade. É a consolidação de um processo em que entendem como ganhar dinheiro e inovar com conhecimento e cooperação.

Voltando à palestra, agora, neste ponto, quando eu já havia passado por quase todos os temas dos ODS faltavam apenas os dois últimos: Paz (16) e Parceria (17). Aí sou novamente interrompido – por outro participante – argumentando que o assunto “era muito interessante”, mas a cidade estava num cenário de pré-eleição e o tema da sustentabilidade não teria ressonância.

Foi aí que parei para refletir e me perguntei: A responsabilidade é de quem? Da entidade que me convidou para dissertar sobre sustentabilidade e não sabia o que era ODS? Das campanhas eleitorais e seus candidatos que não consideram o tema? Das empresas que precisam ter lucro rápido?  NÃO. A responsabilidade é de cada um que se submete aos surrados preceitos, falam no “novo”, mas continuam no tradicional – do botijão de gás ao asfaltamento da rua.

Vivemos um momento de caos, com muita dor (física e mental), fome e miséria. E isto não significa que o acesso aos diretos do cidadão sejam menores ou devam ser negligenciados. O que precisamos, de fato, é buscar o diálogo de paz e construir projetos de qualidade alinhados ao coletivo e ao planeta.

Poucos prestam atenção ou fazem contas, mas o próximo desafio da humanidade será a mudança do clima. Viveremos e veremos de quem será a responsabilidade.

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Claudio Andrade é mestre em Relações Públicas, membro da Comissão Brasª de Acompanhamento do Relato Integrado e CEO da Ratio Inteligência em Sustentabilidade.

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